Ter A Menina que Roubava Livros em mãos não foi uma tarefa fácil. Era o livro mais procurado na Estação de Leitura. Na hora de alugá-lo, eu sempre chegava tarde demais, tendo que me conformar com outra boa leitura como passatempo (essa tarefa foi bem mais fácil).
O livro era passado de mão em mão e a minha procura crescia de dias para semanas. Por um momento, pensei em agir como a menina do título. Se eu quisesse ler a aventura de uma roubadora de livros, teria de fazer isso mesmo: teria de roubá-lo.
Por sorte e destino, nada disso aconteceu.
O livro chegou a minhas mãos numa tarde chuvosa e sonolenta. Eu estava feito doido procurando a pessoa que tinha posse do livro que eu mais queria ler no momento. A capa branca, a brochura, o tamanho, as cores, o título: tudo me atraía para A Menina que Roubava Livros.
Uma garota que o lia me deixou um incentivo. Disse que tinha adorado.
Naquele dia, eu era um rapaz com uma mochila, mas levava o livro nas mãos. Muito mais do que palavras impressas, aquele era meu prêmio. E chegava a hora de desfrutar da recompensa por tanta espera: já no ônibus, peguei um lugar nos fundos e folheei as páginas que contavam a história de Liesel Memimger, uma menina que roubava livros.
A história é ambientada na Alemanha nazista, entre 1939 e 1943, e tem uma narradora inusitada: a Morte. Ela conta que, neste período, encontrou com Liesel três vezes. E admirou-se tanto com a singela história da menina, que teve de destacá-la entre tantas outras. Assim se inicia a história de uma infância inocente – durante uma guerra brutal.
Não pretendo estragar surpresas aqui, mas cada página era uma parte de uma linda história. A narradora – a Morte - é muito direta e não hesita em antecipar o futuro. Mas, não se pode negar uma coisa: ela sabe apreciar os momentos. Sabe apreciar as pessoas. Mais do que tudo, a Morte sabe apreciar as cores e as palavras. Mas você vai ter que ler o livro para entender.
O autor, Markus Zusak, foi muito feliz na forma com que abordou a narrativa. E é preciso apreciar o idealista da história, tanto quanto se aprecia o livro. Afinal, o autor não é o culpado por fazer com que as histórias mudem o nosso interior?
Nesse sentido, Markus Zusak acertou em cheio. Personificando a Morte, contou uma história simbólica, com tristezas e felicidades, mortes e sobrevivências, amizades e amores… Tudo pontuado por alguns furtos (sinceros) de livros, executados por uma inocente menina alemã de nove anos.
Quando abri o livro, naquela tarde chuvosa, sentado no fundo do ônibus, eu me deparei com uma personagem cativante. Mas, sinceramente, não esperava por tanta emoção. Eu não sabia que, dias depois, estaria com algumas lágrimas muito francas tomando meus olhos. Não sabia que aquele livro não só ia mexer com a minha cabeça: ia mexer com meu corpo, com a minha mente, com a minha vida, com tudo.
Naquele momento, à primeira leitura, a Menina que Roubava Livros cometia o maior furto de todos:
Roubava meu coração.
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como sempre, eu adoro as suas críticas! :D
Já disse pra você, que eu juro ler o livro assim que eu terminar o livrinho do momento.
e cara…
falta tão pouco *.*
Eu tambem me emocionei com o final da historia,chorei muito,eu recomendo esse livro