Onde nosso narrador apresenta:

duas pequenas amizades
as surpresas da ruiva
uma missão de autógrafos
e o cativador de leitores

* * *

Primeiro, a amizade.
Depois, tudo aquilo que temos em comum, como a leitura.
Em geral, é assim que vejo as coisas. Pelo menos eu tento.

. EIS UM PEQUENO FATO .
A amizade é mágica.

Sempre tento manter meus amigos, não importa a distância, nem os motivos que não nos deixa ser próximos. Com a Rebeca foi assim. Dentre todas as regras que nos une, A Menina que Roubava Livros é uma das mais impulsoras.

. REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO .
Se a amizade me preocupa?
Não - a amizade não foge das regras da vida.

- Então você vai ao Rio? - perguntou Rebeca.
- Sim, e vou na Bienal do Livro, e adivinha só quem vai estar lá? O autor de A Menina que Roubava Livros. Me dá teu livro que eu levo pra ele autografar também.
- Sério?
- Claro, saumensch.
- Seu saukerl!

. DUAS OBSERVAÇÕES .
A distância entre Rio de Janeiro e São Paulo é de 357 Km.
Mas a Austrália é longe do Brasil 13574 Km. São duas grandes distâncias para se vencer.

E daí eu cheguei no Rio de Janeiro, onde tudo seria tão perfeito. A garota dos cabelos vermelhos que lá me recebeu, prometeu uma surpresa para o paulista carregador de sonhos. Naquela mesma noite, dois dias antes da Bienal do Livro, Paula me carregou até a Livraria Saraiva, e provou que me conhecia tão bem quanto eu mesmo. Porque aquela surpresa seria mesmo inesquecível.
- Dá uma lida neste cartaz - pediu ela, apontando para o cartaz na entrada da livraria.

. AS PALAVRAS DO CARTAZ .
Não percam hoje à noite: palestra e sessão de autógrafos com o autor de
A Menina Que Roubava Livros;
Markus Zusak.

- Não.
- É.
- Não acredito!
- É verdade.
- Jesus, Maria e José!

Pessoalmente, eu jamais poderia ter imaginado. De repente, o mundo ficou muito mais colorido. De repente, o amarelo que decorava a livraria parecia cor de ouro, a cor da minha felicidade. Sabe, as cores. Primeiro as cores, sempre as cores.
Markus Zusak entrou no espaço improvisado pela livraria, e eu estava sentado logo na frente. O autor era mais loiro do que nas fotos, mas havia algo que nenhuma foto poderia ter mostrado: Markus Zusak era um rapaz extremamente cativante.
- É que, na primeira vez que fiz uma noite de autógrafos, na Austrália - disse ele - apenas a dona da livraria compareceu. E agora, aqui no Brasil, vocês todos aqui. Muito obrigado!
Toda a simpatia, toda o brilhantismo. Tudo colorindo o mundo dos presentes. Markus é um contador de histórias nato, o verdadeiro Sacudidor de Palavras.

* * *

Forma-se uma fila, e a minha vez de conhece-lo finalmente chega. A conversa é travada toda em inglês.
- Esse é o meu livro favorito.
- Oh, obrigado! - ele responde, com um sorriso assustadoramente sincero. - Muito obrigado.
- Eu tenho uma amiga que também adora você e A Menina. Nós moramos longe, eu vim de São Paulo pra te ver.
A interpréte do lado explicou a a distância Rio-São Paulo e ele me olhou com uma enigmática surpresa.
- Você veio de tão longe?
Sorri, muito orgulhoso.
- Então… - começou ele, e falou tudo o que tinha de me falar.
Tudo o que eu poderia querer ouvir.

. UMA PEQUENA FRASE .
É o que a Rebeca me disse, quando eu voltei de viagem, cinco dias depois:
- Meu, não acredito! Você é a Kathylce do mundo literário!

 

Mas, de volta ao primeiro encontro.
- Obrigado Markus. - era a minha vez de agradecer.
Não disse, mas sabia que ia vê-lo na Bienal - afinal, ele autografara meu livro, mas ainda faltava o autógrafo da Rebeca.

* * *

Na Bienal, eu era o terceiro rapaz da fila. Cheguei meia hora antes para conseguir a assinatura dele no livro da Rebeca. Tanto que, num dado momento, o amigo Caio perguntou:

- Você veio mesmo na Bienal em missão de autografar o livro da tua amiga?
- Ah, vim sim.

E - para minha surpresa;

Markus Zusak me reconheceu.

- Hei! - disse ele, quando minha vez chegou.
- Caramba, eu… Eu… Eu precisava reve-lo.
- Ah, o livro da sua amiga.
- Sim.
Fiquei tão emocionado que entreguei o livro pra ele, e nem sabia o que falar. Na quinta-feira eu já tinha virado fã confesso do sr. Zusak, mas, nossa! Ele ter me reconhecido foi uma surpresa infinitamente feliz (mesmo depois de tudo que aconteceu na Livraria).
- Você pode dizer a ele que eu pensava que ele não ia se lembrar de mim? - pedi pra interpréte. Ela o fez e ele me encarou com um sorriso.
- Oh, não. E como eu poderia não lembrar?
- Posso apertar sua mão? - pedi, bobamente.
Ele riu, nos cumprimentamos, e ele me entregou o livro da Rebeca.
- Muito obrigado.
- Não, eu é quem agradeço. - disse. - Obrigado, obrigado, obrigado!
- Tchau!
E - veja só - a Paula estava logo atrás de mim. E o Markus acenou para ela (”hei!”).

Inesquecível.

. O MEU AUTÓGRAFO .
“To Rafael,
Here’s to life, death, and all the words and colors in between…”

Voltemos ao momento pós-segundo-encontro. Eu estava tão feliz, tão emocionado, que nem olhei o autógrafo da Rebeca, não de imediato. E, uma surpresa deliciosa me aguardava no livro da minha amiga.

. O AUTÓGRAFO DA REBECA .
“Dear Rebeca,
You can thank Rafael for this…”

Meu coração deu um pequeno comichão.

Tive vontade de voltar atrás e dizer muitas coisas para Markus Zusak, contar que ele formava um capítulo inteiro da minha vida. Mas como dizer-lhe se, muito provavelmente, ele já sabia de sua importância ao escrever palavras tão cuidadosas e carinhosas? Tive vontade de voltar até a fila e perguntar-lhe como alguém poderia ser tão cativante. Contar-lhe que ele conseguira se fazer tão importante na minha amizade com a Paula e a na minha amizade com a Rebeca.

Porém, nada disso foi proferido.

Tudo o que pude fazer foi virar-me para a ruiva e lhe dizer a única certeza que eu tinha no momento. Eu disse à ela e digo a você agora.

. UMA ÚLTIMA NOTA DO SEU NARRADOR .
De todas as boas formas, o Markus Zusak me assombra.



10 Responses to “O Escritor que Cativava Leitores”  

  1. 1 A Sacudidora de Palavras

    . EIS UM PEQUENO FATO .
    Eu continuo com inveja de você.

    Mas como você é demais, fez com que eu estivesse presente lá de alguma forma.

    “Dear Rebeca,
    You can thank Rafael for this…”

    Thank you SO MUCH!

  2. 2 Cecilia Stokbu, amiga da sacudidora.

    Você me fez ouvir em um interurbano pelo menos 50 “UAUS” em apenas uma frase.

    Parabéns por deixar a Garota das Laranjas radiante.
    isso não é serviço pra qualquer um.

    A alegria não cabia dentro dela de forma alguma.

  3. 3 Ricardo

    Ele definitivamente cativou a todos que tiveram a honra de estar perto dele.
    Agora eu faço propaganda dele em todos os cantos e digo que seu livro é mágico.

    E hoje finlamente fui em uma Bienal e vi Ziraldo. Falo isso porque cresci lendo Ziraldo e estou até agora feliz por ter ficado em uma fila quase duas horas para que ele assinasse um livro e tirasse uma foto. Mesmo por pouco tempo, tive a certeza que Ziraldo, assim como Markus, são daquelas pessoas que te encantam com poucos minutos de conversa.

  4. 4 nathy

    o que eu posso dizer?!
    PUTA QUE SAUDADE DE LER AQUI!

    e arranjei uma sombra entre o sono de ter acordado as 7h da manha de domingo e estar acordada ate agora …
    me deu vontade de ler esse livro, por você gosta tanto dele, porque você gosta tanto do autor dele, e também porque to com saudade de ler por gosto e não por obrigação, saudade de ler uma obra e preocupar só com a historinha, não com o ano em que foi escrita….

    rafaaa
    não posso prometer mais que lerei tudo que perdi….acho que não consigo alcançar, mas vou tentar ler mais vezes aqui…
    e talvez escrever um pouco la no meu também, coitado às moscas…

    ah! e como foi sua prova?!

    beijos!

  5. 5 leda

    Acabei de ler A Menina…. Fiquei tão FELIZ ao ler o Rafael…..
    Parece que voce disse tudo e tudo com um AMOR INFINITO….

  6. 6 Kell

    Uau!
    Amei seu texto! Você escreve de forma muito peculiar. É arrebatador sem exageros ou afetações. Muito singelo!

    Você deixou a minha amiga, Beka, tão feliz que eu já gosto de você sem nem ao menos conhecê-lo.

    Well done. Keep writing! ;D

  7. 7 Miwa

    …. Nossa …. acho que é a única palavra para expressar o que li agora ….

    Quer dizer …. ler não , sentir …. sabe quando entramos dentro das histórias e vemos a situação ? acho que fiz isso nesses 10segundos .

    Sua escrita é sincera , cheia de emoções e principalmente cativante ! resumindo … encantadora.

  8. 8 Gabriella

    Amo a menina que roubava livros. Já na primeira
    vez que li o titulo me apaixonei , sério!
    Adorei ler o que você escreveu!
    minha escola entrará em contato com Markus Zusak esse ano. Estou muito anciosa! espero que seja tão encantador quanto o seu encontro com ele! Adoro ler e o livro de markus Zusak só me fez me apaixonar mais e mais pela leitura!

  1. 1 Pelvini: Livros, leituras e papo esperto | Tecnoclasta
  2. 2 O Instituto C&A « Pelvini

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