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	<title>Pelvini</title>
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	<description>Curinga escritor desenvolve o próprio pensamento.</description>
	<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 20:17:44 +0000</pubDate>
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		<title>Milk, de Gus Van Sant - Trailer</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 20:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Indicações Diversas]]></category>

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		<description><![CDATA[Van Sant é, sem dúvidas, um dos meus diretores contemporâneos favoritos, incluindo aí Cuarón, Del Toro e outros mais. 
Após dirigir alguns dos filmes cults que lembro no momento - Elefante, Últimos Dias, Paranoid Park - cai na rede um trailer de um filme que foge do jeito usual do diretor, o que não me parece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Van Sant é, sem dúvidas, um dos meus diretores contemporâneos favoritos, incluindo aí Cuarón, Del Toro e outros mais. </p>
<p>Após dirigir alguns dos filmes cults que lembro no momento - <em>Elefante, Últimos Dias, Paranoid Park</em> - cai na rede um trailer de um filme que foge do jeito usual do diretor, o que não me parece ruim. Vindo de Van Sant e com Sean Penn no papel principal, não tem como dar em porcaria&#8230;</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://pelvini.wordpress.com/2008/09/04/milk-de-gus-van-sant-trailer/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WW0lQrWn5VIhttpwwwyoutubecomwatchvWW0lQrWn5VIa/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>O personagem que dá nome ao filme foi o primeiro homossexual assumido a assumir (trocadilho assaz bacana) um cargo público nos EUA, na década de 70. </p>
<p>Tenho a vaga impressão que o subtítulo de <em>Milk</em> será &#8220;Oscar&#8221;.</p>
<p>O filme estréia lá fora em Novembro.</p>
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		<title>Rabo de Escola</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 05:25:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Textos Desafiadores]]></category>

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		<description><![CDATA[Na oitava série eu fui representante de sala, mais por pressão alheia do que qualquer outra coisa. Fato é que certa vez tive que ir lá na frente explicar alguma coisa pra sala, e quando estava lá percebi que quanto mais eu falava, mais as pessoas riam - mais elas debochavam.
Sem entender o que estava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na oitava série eu fui representante de sala, mais por pressão alheia do que qualquer outra coisa. Fato é que certa vez tive que ir lá na frente explicar alguma coisa pra sala, e quando estava lá percebi que quanto mais eu falava, mais as pessoas riam - mais elas debochavam.</p>
<p>Sem entender o que estava acontecendo, corajosamente continuei a falar. Os outros jovens - uns 40, talvez? - continuaram a rir. Olhei para o meu lado direito: a professora também ria. Finalmente vencido, calei-me. A sala inteira ria de mim, e a imagem ainda parece transitar na minha memória, como que em câmera lenta.</p>
<p>Eu não havia visto, mas um dos garotos do fundo havia pendurado uns pedaços amarrados de papel crepom na minha calça, e, para todos os efeitos, parecia que o representante de sala agora tinha um rabo. De fato, deve ter sido uma cena engraçada.</p>
<p>Como eu descobri do &#8220;rabo&#8221;?</p>
<p>Bom, no meio do barulho alto das risadas, no meio do clima de sarro, no meio de um monte de pessoas que não perdem a chance de divertir-se com a piada da vida alheia, uma pessoa não ria: era uma amiga. E, assim que eu silenciei, perdido, ela disse: &#8220;atrás de você, Rafael&#8221;. E junto comigo, todo mundo calou a boca, inclusive a professora.</p>
<p>Em seguida, metade da sala continuou rindo e a outra metade xingou a garota - você pode imaginar os adjetivos mais baixos que jovens da oitava série podem proferir - mas ela simplesmente ralhou com todos e os mandou &#8220;cuidar de suas vidas&#8221;. De momento, eu só consegui gesticular um obrigado, sem emitir nenhum som. Ela apenas deu de ombros, sorriu, e fingiu que nada aconteceu. Naquele dia, descobri que por vezes encontramos umas pessoas que realmente salvam nossas vidas.</p>
<p>Qualquer dia desses peguei um ônibus super lotado e daí uma das meninas que riu de mim naquela fatídica aula passou pela catraca, com uma mochila enorme, rosa, e alguns cadernos nas mãos. De raiva, eu poderia ter mostrado o dedo do meio pra ela, ter colocado o pé pra ela escorregar, ou simplesmente dar um chute bem simpático no joelho dela.</p>
<p>Mas eu preferi me levantar e ceder meu lugar pra ela. Me pareceu mais educado e, de qualquer forma, ela parecia bem mais cansada do que eu. Ela se sentou e agradeceu, aparentemente envergonhada.</p>
<p>Cacete, não é que a vida provoca umas ironias bem imbecis?</p>
<p>* * *</p>
<p><a href="http://imaginarylines.wordpress.com/2008/08/27/desafio-1/" target="_blank"><em>Em resposta ao desafio proposto aqui.</em></a></p>
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		<title>Lembranças Que Voam</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 21:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje peguei um punhado de lembranças e as joguei janela afora. Pássaros coloridos, as lembranças se fundiram facilmente no céu. Observei em silêncio as aves se afastarem e sumirem nas nuvens escuras que guardam nossas histórias. E choveu.
Porque sempre que nos despedimos, abrimos uma gaiola - o coração - e deixamos que as lembranças lá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Hoje peguei um punhado de lembranças e as joguei janela afora. Pássaros coloridos, as lembranças se fundiram facilmente no céu. Observei em silêncio as aves se afastarem e sumirem nas nuvens escuras que guardam nossas histórias. E choveu.</p>
<p>Porque sempre que nos despedimos, abrimos uma gaiola - o coração - e deixamos que as lembranças lá aprisionadas façam parte de algo maior&#8230; Constituem nossa memória. E aí as lembranças se vão como passarinhos livres e se juntam aos que já deixamos para trás, num lugar que sempre podemos olhar quando estamos com saudade&#8230;</p>
<p>O céu do Passado. E aí, sabe como é. A gaiola fica aberta, querendo aprisionar novas aves, novos aspirantes a boas lembranças. Enquanto isso, a gente se senta, num gramado verde como só o verde nostálgico sabe ser, olha para o alto e espera alguns passáros surgirem das nuvens. Alguns são mais atrevidos, voltam freqüentemente e pousam no seu ombro, nos seus dedos&#8230; Formando as lembranças que nos acompanharão para sempre.</p>
<p>E mostrando que, aprisionar o passado no coração pode trazer uma felicidade efêmera - mas, que por ser prisioneira, jamais será completa. Será sempre condicionada.</p>
<p>Por isso, hoje peguei um punhado de lembranças e joguei janela afora. Elas voaram, e eu fiquei livre. Não das lembranças, ou dos pássaros, como preferir. Fiquei livre porque sei que, toda vez que olhar para o céu do passado, as lembranças estarão lá, felizes. Voando.</p>
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		<title>BlogDay</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 01:16:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>

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		<description><![CDATA[
Hoje é o 4º BlogDay - dia de recomendar cinco blogs legais aos leitores. Ano passado eu indiquei estes cinco aqui, e a recomendação deles continua válida e interessante. Enfim, os de hoje:
Sinapse Com Cafeína &#124; Comandado pelo melhor poeta que conheço - um poeta que, ironicamente, diz odiar escrever - Sinapse Com Capheína abriga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><a href="http://www.blogday.org/"><img class="aligncenter" style="border:0 none;" src="http://www.blogday.org/images/badge_yellow.gif" alt="" width="155" height="130" /></a></p>
<p style="text-align:left;">Hoje é o 4º BlogDay - dia de recomendar cinco blogs legais aos leitores. Ano passado eu indiquei estes cinco <a href="http://pelvini.wordpress.com/2007/09/01/blogday/" target="_blank">aqui</a>, e a recomendação deles continua válida e interessante. Enfim, os de hoje:</p>
<p><a href="http://gustavo-brito.blogspot.com/" target="_blank">Sinapse Com Cafeína</a> | Comandado pelo melhor poeta que conheço - um poeta que, ironicamente, diz odiar escrever - Sinapse Com<em> Capheína </em>abriga aspirações e inspirações tristes, cruas, reais&#8230; Por vezes assustadoras. Mas não se assuste: quando resolve ser otimista, este escritor também soa autêntico. Gustavo Brito, o tecelão por trás daqueles versos e palavras, merece ser infinitamente lido e relido.</p>
<p><a href="http://frasesilustradas.blogueisso.com/" target="_blank">Frases Ilustradas</a> | Ceó Pontual é um excelente ilustrador. Caí no blog dele de pára-quedas - um pára-quedas chamado Google - e favoritei no mesmo minuto. Desde então, tenho visitado seu blog a todo momento; o que é ótimo, visto que o recifense atualiza seu blog quase diariamente (talvez eu deva aprender alguma coisa com ele) com citações acompanhadas de seus belos desenhos. É incrível como a arte fica bonita quando denota prazer.</p>
<p><a href="http://cadeorevisor.wordpress.com/" target="_blank">Cadê o Revisor?</a> | Quem assina o &#8216;Cadê o Revisor&#8217; é o Pablo Vilela. Revisor de nascença, o blog dele tem sempre informações bacanas de leitura, todas devidamente revisadas (sic). Posts em conta-gotas, de leitura rápida, sempre vale a visita.</p>
<p><a href="http://pudimdebeterraba.blogspot.com/" target="_blank">Pudim de Beterraba</a> | Já ouviu falar em Bruno Dookie e Julian Gonçalves? Não? Pois então, estes são os criadores do Pudim de Beterraba, blog de humor, curiosidades e um montão de coisas, que eu acompanho há um tempão, também. E adoro. Com exceção dos posts sobre esporte - não curto esporte - recomendo a leitura diária pra umas boas risadas, principalmente com os posts de tiração de sarro alheia.</p>
<p><a href="http://imaginarylines.wordpress.com/" target="_blank">Imaginary Lines</a> | Juliana Goskes continua sendo uma das minhas escritoras favoritas - se não a favorita - e demonstra um décimo de seu talento no Imaginary Lines. Acredite: um décimo de talento já é muita coisa pra essa garota. Descreve e inventa como ninguém, essa garota. Não perca.</p>
<p>E, bem. É isso. Eu até recomendaria mais blogs - como o <a href="http://www.tecoapple.com/" target="_blank">tecoapple</a>, o <a href="http://teletube.wordpress.com/" target="_blank">teletube</a> e o <a href="http://www.lendo.org/" target="_blank">lendo.org</a> - mas a regra são cinco, não? ;)</p>
<p>E eu continuo achando que ninguém ainda conhece Pelvini - blog de riscos arriscados - a ponto de indica-lo neste BlogDay. Anyway, fica aí alguns dos meus favoritos!</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/pelvini.wordpress.com/247/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/pelvini.wordpress.com/247/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelvini.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelvini.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pelvini.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pelvini.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pelvini.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pelvini.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pelvini.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pelvini.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pelvini.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pelvini.wordpress.com/247/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelvini.wordpress.com&blog=658324&post=247&subd=pelvini&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Cordas</title>
		<link>http://pelvini.wordpress.com/2008/08/30/cordas/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 01:26:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sentou-se abaixo do monumento em restauração, a mochila xadrez jogada na escada e o Converse amarelo próximo à cintura quando ela abraçou os joelhos. Minutos, segundos. Afastou uma mecha clara da frente dos olhos, suspirou. Perdendo o tempo, de novo. E de novo, de novo, de novo&#8230; Minutos, segundos - não, eram dias, semanas.
O monumento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Sentou-se abaixo do monumento em restauração, a mochila xadrez jogada na escada e o Converse amarelo próximo à cintura quando ela abraçou os joelhos. Minutos, segundos. Afastou uma mecha clara da frente dos olhos, suspirou. Perdendo o tempo, de novo. E de novo, de novo, de novo&#8230; Minutos, segundos - não, eram dias, semanas.</p>
<p>O monumento lançava sombra, mas o sol tornava o pó que flutuava em partículas douradas. Era o tipo de espetáculo que as pessoas que passavam ali - em abundância - preferiam não reparar. Era a saída de uma estação de trem. Evidentes eram a efemeridade do olhar, o enegrecimento do coração. Que estúpida rotina&#8230; A não ser pela garota sentada na escada em pleno entardecer. As pessoas passavam e se perguntavam o que a menina estava fazendo ali, embaixo da restauração do monumento, as duas, estátua e menina, tocadas de pó, as duas com o coração petrificado.</p>
<p>Dentro da mochila, caderno de capa dura, caneta preta e um coração despedaçado. Uma última carta, é isso. Para não ter mais que pensar. Para abreviar aquilo tudo - os segundos, os minutos, os dias, as semanas - em dez linhas de xingamentos e expressões mal-educadas. No celular, a foto do menino de violão. Ele, um talento em melodia e canção. Ela, um talento em apertar e despedaçar - o próprio coração.</p>
<p>A caneta risca o papel, rápida.</p>
<p><em>&#8220;Serei fria, mas não insincera. É uma tentativa inútil, mas meu coração espera&#8230; Por um tocante final de solidão e pelo início singelo de uma improvável relação.<br />
Olha, faz muito tempo que não mando cartas a alguém. Talvez você tenha razão e a gente não tenha mesmo muito a ver. Enfim, você ou eu vai acabar encontrando os que nos pertencem - e eu quero.<br />
Eu me lembro de você me mostrando o seu violão. Você deixou eu, uma menina boba, tocar as cordas e falsificar falsetes aquela tarde toda. Quando você estiver por aí, tocando para as outras pessoas, eu espero que você se lembre desse momento estúpido e feliz de nós dois.<br />
Dizem que os grandes artistas são solitários. Talvez seja isso que você precise, solidão&#8230; Para criar. Talvez seja aí que nossos caminhos fiquem paralelos - feito as cordas de seu violão.<br />
No dia que você quiser se lembrar de mim, dá uma olhada no seu celular. Meu número está lá. Eu digo isso pois, por mais que saiba que jamais nos encontraremos de novo, ainda tenho medo de que você me esqueça.<br />
Jamais - nos - encontraremos - de - novo. Cinco palavras e uma sentença. Fim.&#8221;</em></p>
<p>- Tá fazendo o que aí sentada no meio do nada?</p>
<p>Ela levanta a cabeça, não antes de reler &#8220;Jamais nos encontraremos de novo&#8221;. Está quase escuro, mas a sombra ainda alcança e cerca os dois, como uma redoma. Ele está como sempre. Calça jeans, camiseta, violão dentro da capa, nas costas.</p>
<p>- Tá fazendo o que aqui? - ela repetiu.</p>
<p>- Vou pegar um trem, mas tenho uma hora e meia ainda. Que tal tomarmos um refrigerante? Depois podíamos, sei lá&#8230;</p>
<p><em>&#8220;Jamais nos encontraremos de novo.&#8221;</em></p>
<p>- &#8230;tocar violão?</p>
<p>- É, podemos tocar violão&#8230; - tornou ele, estendendo uma mão suave pra ela.</p>
<p>As cordas de um violão nunca se tocam, mas ainda assim não deixam de fazer boa música. Naquela tarde, os dois perderam hora e minutos um com o outro, mas ganharam uma coisa muito mais preciosa que qualquer carta malcriada: tempo.</p>
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		<title>Encantadora de Baleias, de Niki Caro</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 22:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Chorei bastante com este &#8220;Encantadora de Baleias&#8221;, filme simplório de 2003. Produção neo-zelandesa, o filme retrata a história de Paikea, uma garotinha da tribo Maori, cujo destino era se tornar a próxima líder de seu povo - isto, é claro, se ela nascesse como garoto. Tornando-se desde seu nascimento uma decepção para seu avô, atual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Chorei bastante com este &#8220;Encantadora de Baleias&#8221;, filme simplório de 2003. Produção neo-zelandesa, o filme retrata a história de Paikea, uma garotinha da tribo Maori, cujo destino era se tornar a próxima líder de seu povo - isto, é claro, se ela nascesse como garoto. Tornando-se desde seu nascimento uma decepção para seu avô, atual líder da tribo, Paikea irá descobrir os desafios e os preconceitos impostos pelas crenças do povo em que vive.</p>
<p>Na época Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Keisha Castle-Hughes de fato rouba o filme nas cenas em que aparece <em>(é claro que, na época, a garota não tinha chances, visto que competia com Charlize Theron em Monster)</em>. Interpretando a possível herdeira de um povo, é pela voz da personagem principal que vamos conhecendo os contratempos de sua história: ela não tende prever o futuro, mas algumas vezes soa deliciosamente profética. É bacana perceber o quão grave a garota deixa sua voz enquanto narra a história enquanto, como personagem, assume um tom justamente infantil.</p>
<p>Com um rosto peculiar e enigmático, Paikea pode não ser a queridinha aos olhos do avô, mas demonstra atitudes de uma líder natural. Não podendo participar dos ritos e das aulas de liderança por ser garota, ela passa a ouvir as histórias escondida: diz-se que o primeiro líder da tribo veio do mar montado em uma baleia, guiando o povo Maori para uma boa terra. Desde então, a liderança do povo vem passando de homem para homem - até o nascimento de Paikea. Para a ira do avô, o irmão gêmeo da garota morrera no nascimento, interrompendo a linhagem. Paikea, então, é criada convivendo com a rejeição e tirania de um avô extremamente tradicional - e, emociona ver que, mesmo assim, o amor de Paikea pelo avô é absolutamente incondicional.</p>
<p>A opção do roteiro, de demonstrar Paikea como uma enviada, é cabível: a menina parece ter uma ligação forte com o mar, parece ouvir chamados das baleias <em>(e as cenas aquáticas, mostrando os animais, são lindas de morrer só por sua existência)</em>, sabe desde o início o tamanho de sua importância.</p>
<p>Dirigido com sensibilidade <em>(e feminismo)</em> por Niki Caro, Encantadora de Baleias tem o cuidado de não retratar Paikea como uma sofredora: menina forte, faz de tudo para provar à todos sua capacidade, inclusive aprendendo a lutar. Caro também acerta ao mostrar as peculiaridades do povo Maori, seus hábitos e costumes regionais. Acrescentar um humor sutil nas cenas que mostram o tio da garota também é uma decisão acertada: como o ator é bem gordo, temia que caísse no caricato, estragando o filme, mas isso não acontece. A sutileza de Caro também é bacana: algumas cenas e deduzimos, por exemplo, quem é o futuro amor de Paikea - mesmo que não haja uma cena de amor sequer.</p>
<p>No entanto, Caro comete um erro bobo: como Paikea narra a história desde o início, subentende-se que ela está viva; logo, fazer suspense sobre a possível morte da personagem é uma tentativa inútil de emocionar/surpreender. Nada que estrague o resultado final, no entanto.</p>
<p>Filme com um orçamento aparentemente pequeno e com uma trilha sonora extremamente simples&#8230; Tá aí, deve ser por isso que Encantadora de Baleias, com o perdão do trocadilho, me encantou: é tudo de uma beleza muito simples. É como ficar sabendo de uma lenda antiga, de um desses mitos de uma região qualquer. E impossível não se emocionar com um desfecho daqueles&#8230;</p>
<p>Portanto, fica a recomendação: alugue logo Encantadora de Baleias! De fato, se eu soubesse como, colocaria os links para download aqui&#8230; Então, que pena. Mas você pode ver o trailer da produção <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fE7-_Z03Aw4" target="_blank">neste link.</a></p>
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		<title>Teaser - Enigma do Príncipe</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 22:31:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Dando um exemplo sensacional de corporativismo capitalista, a Warner adiou a estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe para 2009.
O teaser-trailer, no entanto, já pode ser conferido na rede:

Mais, aqui.
Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem estréia mundial em 17 de Julho de 2009.
       ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Dando um exemplo sensacional de corporativismo capitalista, a Warner adiou a estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe para 2009.</p>
<p>O teaser-trailer, no entanto, já pode ser conferido na rede:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://pelvini.wordpress.com/2008/08/17/teaser-enigma-do-principe/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jpCPvHJ6p90/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Mais, <a href="http://arquivo.potterish.com/?p=6811" target="_blank">aqui.</a></p>
<p>Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem estréia mundial em 17 de Julho de 2009.</p>
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		<title>O Contador de Histórias</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Aug 2008 00:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Em um mundo de cores e sorrisos, o Contador de Histórias entretia as pessoas com suas - ora, que redundância - com suas histórias. As pessoas não sabiam ao certo se ele era ciente do poder de sua palavra e tampouco tinham coragem de perguntar. O fato é que o Contador de Histórias sabia muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Em um mundo de cores e sorrisos, o Contador de Histórias entretia as pessoas com suas - ora, que redundância - com suas histórias. As pessoas não sabiam ao certo se ele era ciente do poder de sua palavra e tampouco tinham coragem de perguntar. O fato é que o Contador de Histórias sabia muito bem como exercer seu ofício: sua voz tinha as entonações mais bacanas, ele era atento a detalhes que as pessoas perdiam, sabia caracterizar personagens como ninguém e, é claro, tinha a história oportuna para cada momento.</p>
<p>Certa vez, o Contador de Histórias se casou e teve filhos. Um de seus filhos era quieto, muito quieto. Ao invés de ficar atento às histórias do pai, o menino mergulhava no silêncio; e também mergulhava em sua própria timidez. O Contador de Histórias apercebeu-se de um filho exatamente diferente de si. Era assustador, é verdade, e ele esperou que isso não atrapalhasse a história dele. Mas, como um homem que conta histórias, sabia que reviravoltas - boas ou não - aconteciam em todas as histórias, de vida ou não.</p>
<p>Foi pensando nisso que o Contador de Histórias resolveu levar seu filho até a um lugar mágico. &#8220;E aonde vamos, pai?&#8221;. &#8220;À livraria. Quero te contar uma coisa.&#8221;</p>
<p>Levou o menino para a livraria. O garoto, acanhado, olhou lombadas e tocou papel. Era um menino, era verdade, e seus olhos brilhavam de uma forma tão mágica! O Contador de Histórias sentou-se, deixando que o menino criasse parte de sua infância - escrevendo-a com seus passos e movimentos leves de garoto. Quando finalmente ele escolheu um livro, juntou-se ao pai.</p>
<p>&#8220;Você quer ler este?&#8221;. O menino disse que sim com um movimento da cabeça. &#8220;Você está segurando uma história e uma vida nas mãos, filho. É assim que as pessoas conhecem outras pessoas: com histórias que se transformam em vida, e vidas que se tornam história.”</p>
<p>&#8220;Não entendi, pai.&#8221;</p>
<p>&#8220;Mas um dia você vai entender. E sabe por quê?&#8221;. O menino abanou a cabeça. &#8220;Porque um dia você vai perceber que ocupa o melhor lugar da história. Aqui, vou lhe mostrar qual é.&#8221;</p>
<p>E apontou, suavemente, para o nome do autor no topo da capa do livro.</p>
<p>&#8220;Você é o inventor e criador de sua história, filho.&#8221;, e o menino suspirou. &#8220;Nunca vou ser um bom contador de histórias como você, pai.&#8221;</p>
<p>&#8220;Filho&#8230;&#8221; - o pai sabia da importância das história e do poder das palavras como ninguém. Sabia, entretanto, de uma verdade que por ser tão ambígua, lhe era única:</p>
<p>&#8220;Não se conta histórias. Apenas vive-se.&#8221;</p>
<p>Depois disso, o Contador de Histórias foi até o caixa e comprou o livro.</p>
<p>Naquele dia, pela primeira vez, o menino percebeu que tinha uma história para contar. Se era boa, ele não sabia.</p>
<p>Mas era uma história inteirinha para viver.</p>
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		<title>Ensaios IV</title>
		<link>http://pelvini.wordpress.com/2008/08/05/ensaios-iv/</link>
		<comments>http://pelvini.wordpress.com/2008/08/05/ensaios-iv/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2008 00:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>

		<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 1: Mãe e pai chegam em casa após um dia de trabalho. Fox fica, hum, malucamente feliz.
- Acalma ele, João!
- Pára, ei!
- Acalma ele, João!
- Pára, sai!
- João, acalma&#8230;
- Já ouvi, já ouvi! E vê se você se acal&#8230;
- Pára Fox!
Cena 2: Pai e eu tentando conversar sobre as olímpiadas. Fox fica, hum, malucamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Cena 1:</strong> Mãe e pai chegam em casa após um dia de trabalho. Fox fica, hum, malucamente feliz.<br />
- Acalma ele, João!<br />
- Pára, ei!<br />
- Acalma ele, João!<br />
- Pára, sai!<br />
- João, acalma&#8230;<br />
- Já ouvi, já ouvi! E vê se <em>você</em> se acal&#8230;<br />
- Pára Fox!</p>
<p><strong>Cena 2: </strong>Pai e eu tentando conversar sobre as olímpiadas. Fox fica, hum, malucamente dengoso.<br />
- Aí o cara ganhou todas as&#8230; Sai, Fox!<br />
- Ganhou o que?<br />
- As medalhas de&#8230; Cachorro!<br />
- Oi?<br />
- Ouro, quero dizer. Todas as medalhas, pára!<br />
- Sai, grudento!<br />
- Pára, vai!<br />
- Acalma ele, João!</p>
<p><strong>Cena 3:</strong> Pai, mãe e eu na sala, após o jantar. Fox fica, hum, malucamente frescurento.<br />
- Acalma ele, Jo&#8230;<br />
- TÁ!<br />
- Certo, vou andar com ele antes que ele começe&#8230; Ih, debruçou.<br />
- Oi?<br />
- Debruçou. Você sabe como ele fica chato quando debruça, né?<br />
- É mesmo, vai lá passear com ele&#8230;<br />
Levanto-me.<br />
- João?<br />
- Oi?<br />
- Acalmou ele?<br />
- Tá brincando, né?<br />
- Quem, eu ou o Fox?</p>
<p>Feliz, Fox mete a cabeça na coleira.</p>
<p>* * *</p>
<p><em>Leia os Ensaios anteriores: <a href="http://pelvini.wordpress.com/2007/03/04/muita-televisao/">televisão</a>, <a href="http://pelvini.wordpress.com/2007/06/22/ensaios-ii/">pizzas</a> e <a href="http://pelvini.wordpress.com/2008/03/17/ensaios-iii/">telefone</a>.</em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/pelvini.wordpress.com/225/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/pelvini.wordpress.com/225/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pelvini.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pelvini.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pelvini.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pelvini.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pelvini.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pelvini.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pelvini.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pelvini.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pelvini.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pelvini.wordpress.com/225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pelvini.wordpress.com&blog=658324&post=225&subd=pelvini&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>O Libertador</title>
		<link>http://pelvini.wordpress.com/2008/08/03/o-libertador/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 02:22:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>

		<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>

		<category><![CDATA[Êxodo]]></category>

		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>

		<category><![CDATA[Fuga]]></category>

		<category><![CDATA[Lágrimas]]></category>

		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>

		<category><![CDATA[Moisés]]></category>

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&#8220;Quando ele já estava grande, ela o levou à filha do rei, que o adotou como filho. Ela põs um nome a ele e disse:
- Eu o tirei da água.&#8221; (Êxodo, 2:10)
Ele chegou como um forasteiro perdido, e nos ofereceu a resposta. Sempre fui muito cego para enxergar quem ele era - de fato, só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><blockquote>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;Quando ele já estava grande, ela o levou à filha do rei, que o adotou como filho. Ela põs um nome a ele e disse:<br />
- Eu o tirei da água.&#8221; (Êxodo, 2:10)</em></p></blockquote>
<p style="text-align:left;">Ele chegou como um forasteiro perdido, e nos ofereceu a resposta. Sempre fui muito cego para enxergar quem ele era - de fato, só saberia quando realmente <em>visse</em>. Novo demais para entender e velho demais para acreditar, fui um dos poucos a relutar quando ele disse que nos guiaria para longe da fúria e da perversão provenientes da guerra.</p>
<p>Aquilo adiaria toda a minha cerimônia com Vered, cerimônia embaixo de um sol torrante de mil graus, sobre a areia quase movediça e fervente. Vered, a pele morena e os cabelos ondulados, pareceu se conformar. Prometeu que eu a desposaria - que necessidade mais imatura, a minha - assim que chegássemos à terra que o nosso líder almejava.</p>
<p>Dizia que era hora do êxodo. A hora da partida. A hora da fuga - a fuga para o bem. A guerra traria a sedenta vontade de sangue de nossos opressores, e traria a morte - nos faria passado.</p>
<p>- Não vês que nosso povo está com o destino traçado? Lavan, ele é nossa única esperança.</p>
<p>Para mim, aquela era a esperança cega.</p>
<p>Ilusão.</p>
<p>- Estou seguindo-tei, Vered, mas porque meu amor é muito maior que o ódio dos guerreiros. Meu amor é muito maior que estas promessas de salvação.</p>
<p>Vered olhou para a reunião no centro do acampamento improvisado. Todos olhavam para o homem barbudo no centro, vestindo túnicas vermelho-escuras e dialogando com destreza, uma paixão deliberada transbordando dos olhos - impossível negar - bondosos.</p>
<p>- Lavan. - chamou Vered. - Dizem que nossa caminhada é inútil. Um mensageiro diz que os guerreiros estão muito próximos, e as ordens são&#8230;</p>
<p>Vered não conseguiu terminar, apenas se jogou aos meus braços. Chores, querida, porque talvez seja a última forte emoção que irás sentir; e não será tão maior que meu rancor.</p>
<p>- Viste o que fez, maldito libertador? Promete-nos a vida e tudo o que temos é um exército de assassinos em nossas costas e o mar à nossa frente. Não há saída!</p>
<p>Nosso povo ficou em silêncio. Vered molhava minhas vestes com suas lágrimas quentes e o fogo trepidante iluminava a noite mais escura que teríamos em anos. Ele andou até mim, os pés descalços, o corpo magro apoiado em um cajado de carvalho.</p>
<p>- Nossa vitória será maravilhosa, filho. Espere, e antes do amanhecer terá não só sua vida e a vida de Vered libertas. Livre também estará seu coração, Lavan&#8230;</p>
<p>Não quis acreditar e apenas pude me derrubar em lágrimas. Sempre fomos o povo perseguido, e os perseguidores haviam me tirado meus pais, e minha ingênua e feliz infância. Eu apenas tinha Vered - apenas minha vida.</p>
<p>Quando todos finalmente adormeceram, tive a infelicidade de acordar. Ele estava lá, de joelhos, em posição de piedade. Os dois braços estavam estendidos, as mãos segurando o cajado torto. De joelhos, ele apenas pedia uma coisa: compaixão.</p>
<p>- Que fazes? - perguntei, fazendo Vered se mexer.</p>
<p>- Estive procurando a resposta, Lavan. E a encontrei. - respondeu prontamente, mas levantou-se com lentidão. -  Temos de partir agora. Rumo ao mar.</p>
<p>- O mar? Estás louco?</p>
<p>Mas ele apenas sorriu.</p>
<p>Enquanto acordávamos os anciões e as crianças, tive a impressão de ouvir mil cascos cortando o caminho até nosso povo. Podia imaginar os guerreiros com seus carros de matar e suas lanças de castigar e olhava para Vered e para mim mesmo e sentia medo. Não sei como conseguimos caminhar. As tochas improvisadas iluminavam o caminho, mas não aqueciam nossos corações.</p>
<p>Logo, conforme o céu lançava sua luz roxa nas águas adiante, a única coisa que ouvíamos eram as ondas: um beco sem saída, o fim de nosso povo e nossa esperança.</p>
<p>- É o fim! - gritei, sendo a voz do medo para todos.</p>
<p>Moisés olhou direto nos meus olhos, com um largo sorriso.</p>
<p>- É o começo.</p>
<p>Naquele momento, perante o humilde sol, Moisés segurou o cajado e abriu os braços. Abriu, também, meus olhos. Vered segurava forte em minha mão, percebendo assustada que ali abria-se um caminho.</p>
<p>Moisés, com a dignidade de um mestre, com a modéstia de um servo, com paixão e fé, conseguiu arrancar lágrimas de perdão de meus olhos. Conseguiu, sobretudo, minha total atenção. E hoje eu percebo, com Vered enterrada e nossos filhos a brincar, que Moisés cumprira a promessa que fizera há quarenta anos atrás.</p>
<p>Meu coração, liberto.</p>
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